Dança da lua de chuva
- A única coisa que tenho sentido é que tenho andado por caminhos que não quero andar, caminhos que minha fraqueza estão me deixando ir. Sei que minha força é maior do que isto! Preciso reecontrá-la, sei que existe, sei que está aqui! Como suportar estas perturbações? Como esquecer o que me prende? Não estou sabendo lidar com o que existe, com o que não esqueço por completo, com as perdas. com os outros, com as ausências, com os silêncios e distâncias, não estou sabendo viver os vazios, estou tendo que me retirar de mim, estou tendo que suportar o fogo de dentro ... e queimo e queimo sozinha, como num abismo em que caio e caio no escuro e no eco. Não estou sabendo suportar-me pois não estou sendo o que quero, o que preciso, o que anseio de mim, o que espero, o que busco. Não estou sendo fiel a mim, mas às minhas dores, apegos, vontades vazias, desnecessárias, inúteis, ocas, fúteis, superficialmente tendenciosas, superficiais, que me levam a um sofrimento de nada, que sim, me cresce, acresce, mas que, ao fim e ao cabo, me esgota. Como esgotar-me e preencher-me de mim? Foram tantas perguntas, tantas discórdias, lágrimas, dores, pesos... o que de mim falta neste largo mundo para que eu me compreenda de mim? Ou não, para que eu me tranquilize de mim, me acalme de mim, me sinta de mim, me seja de mim, o que quero, o que me sinto ser pura? O que...?
Poesit
⍟
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