Cansaços

Há um cansaço de todas as coisas, de todas as pessoas, embora não de todas. Um feeling sentir-se só que não sozinho, um vazio preenchido de dias e nostalgias, de cheiro de café e um eu mesmo imerso em muitos outros. Um cansaço já cansado de se ser, de necessidade de se dizer, de se retirar-se de si, um cansaço redundante, o mesmo cansaço, o mesmo que cansa, um cansaço...
Chega a surpreender essa falta de ordem em um cansaço que se faz sombra, um cansaço em que não há o menor entendimento de permanência, já que há o entendimento da razão.
E o cansaço é tanto que fica a palavra presa: mas escorrem lágrimas, dúvidas, certezas mínimas, vontades. O texto, ao fim, parece vazio mas é completo de cansaço pelas mãos de quem o escreve. Não um cansaço de escrita, mas cansaço de tentar trazer para a escrita o que deveria ter deixado de existir na vida.
Vida e ficção, quase que não sei.

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