Thy Light - The Bridge


morte (lat. mors) 1. Em seu sentido filosófico, a morte sempre foi entendida como o desaparecimento ou cessação da existência humana, mas levando a se pensar o sentido da vida. Para Platão, "filosofar é aprender a morrer"; e a imortalidade da alma é "um belo risco a ser corrido". Para Epicuro, a morte é uma certeza, mas não constitui um mal nem deve ser temida, pois é a dissolução do ser total (alma e corpo). Pascal reconhece que estamos "todos condenados à morte", pois somos seres frágeis; mas somos os únicos seres a saber que morremos: nossa dignidade consiste em pensarmos a morte e a salvação. Kant faz da imortalidade da alma um dos postulados indemonstráveis da razão prática (os dois outros são a existência de Deus e a liberdade: númeno).
2. Na filosofia existencial de Heidegger, a morte é o sinal da finitude e da individualidade humana que o homem precisa assumir para escapar da alienação de si e da banalidade do cotidiano: "A morte se desvela como a possibilidade absolutamente própria, incondicional e intransponível". Contudo, "a limitação de nossa existência pela morte é sempre decisiva para a nossa compreensão e nossa apreciação da vida". Assim, "este fim que designamos pela morte não significa, para a realidade humana (Dasein), um 'ser-terminado', mas um ser para o fim, que é o ser desse existente".
3. Conceitos: "Temer a morte, atenienses, não é outra coisa senão acreditar-se sábio, sem sê-lo, pois é crer que sabemos o que não sabemos" (Platão). ''A crença na necessidade interna da morte não passa de uma das numerosas ilusões que criamos para nos tornar suportável o fardo da existência... no fundo, ninguém acredita em sua própria morte ou, o que dá no mesmo, em seu inconsciente cada um está persuadido de sua própria imortalidade" (Freud). "A morte não é um acontecimento da vida. A morte não pode ser vivida" (Wittgenstein).


JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. Jorge Zahar Editor. 1996.

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