Concluindo
Todas as pessoas, em algum momento da vida e sobre
quaisquer coisas, tiram conclusões de outras coisas. Isso não quer dizer que sempre
essas pessoas estão certas de suas conclusões ou que essas lhe dão certezas
sobre o contexto de determinadas situações pelas quais as pessoas estejam
dedicando as conclusões, isso apenas significa que: pessoas tiram conclusões
sobre as coisas.
E tirar conclusão sobre algo é possível quando: pensa-se a
respeito de algo; quando algo ocorre e não há muitas ou nenhuma explicação;
quando há mal entendido e não se conclui o mal entendido; quando um pensamento
é mal processado; e assim por diante. São inúmeros os casos em que se tiram
conclusões sobre as coisas, e poderia ficar três dias pontuando cada um, mas
não é esse o foco. O que pretendo salientar é: como as conclusões fecham as
situações, de que modo elas nos cercam sobre as coisas e pessoas e assim por
diante.
Estive conversando com uma amiga há uns tempos e na
conversa notava cada vez que ela me indicava que eu estava concluindo o
pensamento ou posicionamento sobre determinado lance no assunto. Após nossas
conversas, comecei a notar em meus discursos e conversas, de que maneira
ocorria esse processamento de conclusões que eu tinha sobre as coisas e comecei
a observar os discursos das pessoas também. Noção após noção, fui tirando
conclusões, percebendo quais eram as locuções utilizadas pelas pessoas e por
mim ao fazer uma conclusão, observando em quais situações a necessidade de uma
conclusão era/é tão recorrente, notando se a conclusão não possuía algum
preconceito ou ideia mal elaborada sobre o que era falado (ideia mal elaborada,
leia-se, não se ter um pensamento, talvez, mais adiante daquilo que se
concluiu), etc, etc. Pior de tudo isso, além de ter me rendido algumas
discussões com essa amiga, ter lembrado muito de um trecho de Álvaro de Campos
e ter revisto muitas coisas - aliás, pior não, melhor - foi ter chegado a uma
CONCLUSÃO: não há como não haver conclusões.
Acabou por parecer-me que o errado das coisas fosse o certo
delas, ao fim e ao cabo. Pois, mesmo um posicionamento imparcial sobre
determinada coisa, fazia ser dessa coisa, um pensamento conclusivo. Se dizemos
"não sei" estamos concluindo que não sabemos; se dizemos
"sim" estamos concluindo que aceitamos, concordamos, etc.; se dizemos
"não" concluímos que negamos ou que não queremos. O pensamento
conclusivo parece, portanto, uma situação bem resolvida que o ser humano
encontrou de se afirmar ou de afirmar coisas.
Certo, o problema, todavia, não está em concluir. Eis que o
problema se faz em torno da conclusão mal elaborada – isso porque nos
permitimos concluir coisas a partir de questões que nos são muito próximas. Dificilmente,
na atualidade, encontramos pessoas que processam o seu pensamento de uma
maneira que aborde questões de maneira mais ampla, reduzindo, assim, suas
conclusões pessoais sobre as coisas. O que venho concluir com isso é que:
precisamos olhar mais além. Ok, ter conclusões não é o problema. O problema é
pensar que essas conclusões são o suficiente e com isso sermos reducionistas
diante das coisas, pensando que as conclusões são o suficiente para que essas
coisas sejam apenas aquilo e pronto. Não são! Sempre é possível observar alguma
situação de modo diferente, sempre... basta que a gente abra a cabeça e note
que as coisas não circulam no nosso umbigo! Basta que passemos a processar que
o mundo é múltiplo e que sempre nos acrescentará ver como as pessoas pensam,
por mais absurdamente contra que você seja a uma ideia. As conclusões servem para
acréscimo, são aditivas, são pensamentos que nos fazem ir adiante e não coisas
que deveriam nos fechar por pensarmos serem conclusões. O fato de ser uma ideia
final, ou parecer ser, não significa que seja de fato uma ideia final – sempre é
possível ouvir o outro, ver o outro, estar com o outro, entender o outro. Somos
seres humanos, não somos rochas! Não somos fixos, somos movimento! Acabamos,
somos frágeis e mutáveis, somos como o rio que corre, que passa. Mudamos de
opinião, de casa, de amores, de gosto, de sentimento, de sensação, de
aparência, de corpo; mudamos de tempo, de espírito e de vida. Só não mudamos de
uma, uma uniquíssima coisa: de morte. Vamos morrer e disso sabemos pois estamos
vivos. Por isso reforço o trecho de Campos que, ao fim e ao cabo, pode trazer
uma conclusão para tudo isso:
“Não me venham com conclusões
A única conclusão é morrer!”
Muitoooo bom, Thay! Hahahaha achei engraçado, até. Mas o engraçado fica por conta de pensar sobre isso também, assim como sobre escolhas. Já parou para pensar, também, que tudo é escolha? O tempo todo, todo dia, incessante... interessante isso, né?! Dá um nozinho gostoso na mente hahahaha. Obrigada por me fazer ver isso na conclusão também. Achei muito legal e divertido o texto, ao meu modo,o divertido, claro.
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