A MORTE EM EPICURO

Epicuro é filósofo do período helenístico que apresenta o que se pode chamar de materialismo filosófico. Em sua filosofia hedonista (do grego Hedoné -“prazer”), o que mais vale para a existência humana são os prazeres intelectuais e espirituais. Estes nos levam à paz interior e completam nossa vida. Esta paz poderia ser encontrada, por exemplo, através da leitura de bons livros, do convívio familiar e coletivo, desde que esta coletividade seja seleta. Devemos manter os laços com nosso amigos, formando um círculo restrito. Preza também o recolhimento do indivíduo, pois estar na companhia de si, desfrutando dos momentos de reflexão, alimenta tanto a mente como a alma. Compara nossa vida a um jardim que requer cuidados, esmero e dedicação. Temos que levar uma vida prazerosa e consciente, daí a necessidade da reflexão. Já os prazeres do corpo, em sua concepção, devem ser repudiados. Estes trazem sofrimentos, ansiedade e perturbam nossa alma. Poderíamos identificar estes sentimentos na vida contemporânea, na qual se busca com grande rapidez a satisfação dos desejos, como por exemplo, através do consumismo. O TER passa a ser mais importante do que o SER. O indivíduo esquece de alimentar aquilo que o sustenta sua alma e mente. Epicuro prioriza sempre o momento atual, acredita que devemos aproveitar nossa vida da melhor forma possível, e nos preocuparmos com ela, já que é única. Não concebe a existência de uma vida além morte e, muito menos, se preocupa com este tema. Devemos nos preocupar somente com a vida que temos. Fiel a este materialismo, Epicuro elabora suas reflexões quanto à morte. Acredita que somos um corpo formado por átomos e que, portanto, quando estes átomos chegam ao fim, morremos. Vivemos o tempo necessário de nossa existência. Para Epicuro não devemos temer a morte, porque ela nada significa a nós. Um dia todos nós chegaremos ao fim de nossas vidas e, por crer que nossa passagem aqui é breve, precisaríamos aproveitar o melhor do que nos é proporcionado. Não temos a menor noção do que seja morrer, porque aqueles que já se foram, não estão aqui para nos contar como é morrer. Nos deixamos levar por ilusões, expectativas, ansiedade em querer saber como é estar morto,ou ainda, se há uma outra vida e como ela é. A morte é um ser desconhecido para nós e, portanto, como podemos passar nossa existência nos preocupando com ela? Epicuro se entristece ao notar como as pessoas perdem preciosos momentos de sua vida se preocupando com o que não as pertence. As pessoas fogem da morte e almejam uma vida eterna, cheia de regalias e benefícios.

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