Crônica-crônica
Um minuto, por favor. Daqueles que duram vários instantes eternos. Estou em reforma, me dê licença, preciso passar. Todo mundo precisa, mas tem gente que não quer. Venham, vamos em frente. A vida pede mais. A vida pede mais dessa resistência, a vida pede que caminhemos pois um dia ela para. É, e no dia que parar, ela para mesmo, independente do depois. No dia que ela para é pó e só pó. Então, por que remoer morangos mofados? Por que comer laranjas azedas? Por que sentir dores passadas? Por que viver o que já aconteceu? Se o tempo se desfaz em presentes escapáveis, também devemos de ser fugidios como o vento. A vida voa, ela não fica. Nós é que ficamos, até que ela nos deixe. Ela quer que continuemos com ela pois de repente ela estoura como um balão e se vai pelo céu. E o que fica? A corda que a segurava. Ou talvez, nem isso. Sentir dor que já doeu serve pra lembrar de não pisar no mesmo prego, sim. Por isso, vamos. Um minuto, por favor, e mesmo. Preciso de tempo pois choro e minhas lágrimas demoram a secar. Todos os dias chorei, hoje choro quando a dor dói muito. Já conheceu alguém que chorasse muito? E quem escrevesse em papel, será que existe? Eu existo, você existe, nós existimos, alguém existirá, qualquer um haverá. E escrevemos, respiramos e escrevemos.
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