Nuvem
Sou o frio que habita em mim
Em mim, o fio que habita o mundo,
A lã que transpassa o corte
da cor que sobrepõe o calor
e a umidade do interior dos dias.
O vento que percorre inteiro
está em mim, e eu estou nele,
como quem tece palavras
sem saber como tecer,
sem saber como dizer.
O dom da poesia não é dom,
é dom que não é dado,
é razão inadequada e
vontade inesperada,
é hora de almoço esquecida em versos
e desejo ocasional, sazonal, de tudo o que se
quer.
Tudo o que se quer.
É lágrima no calar da madrugada
e silêncio necessário e desorientado.
Sou o frio que habita essa desordem chamada poesia.
Um frio que se aquece na mentira das palavras
que não possuem uma flor, apenas tempestade,
gelo, armas.
Palavras-soldado.
POEMA.
Qualquer coisa de mim.
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