Sobre os amigos que nos conhecem



Existem amigos que nos conhecem tão bem e ao mesmo tempo sabem nada de nós, com isso nos ajudam muito. Pudera, ter um amigo que não sabe nada sobre nós e fala coisas sem sentido, consegue fazer-nos pensar nessas coisas, que até então eram sem sentido, com mais cautela. Mas existem amigos que nos conhecem, e conhecem tão bem a ponto de entenderem nossos deslizes ou serem complacentes às nossas dores, mesmo que elas pareçam absurdas. Não sei ao certo sobre certos e errados, a não ser invenções de palavras para denominar as predominâncias, mas sei que há amigos que nos conhecem e os amigos que não conhecem valem tanto quanto. Porque temos a mania, sim, de ouvir o que é confortável, o que esperamos, de alguma forma, mesmo que não seja da maneira como esperamos. Mas quando vem, assim, inesperadamente e se encaixa na coisa como coisa nenhuma se encaixaria.... ah, isso sim. E aquilo também. Mesmo com os ritos comuns, as árvores, céus, dias de chuva, dias de sombra, dias no calor de uma distância aconchegante e acolhedora, dias de palavras, de sutilezas e singelezas e sensibilidades e saudades, mesmo, mesmo assim, mesmo assim nossos amigos nos (des)conhecem. Ah, o quanto isso é essencial.

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