Uma dor
Tão imediato que logo percebi. Não preciso esclarecer a ninguém coisa alguma, senão a mim mesmo. Não há necessidade alguma de pôr às claras o que está submerso no baú da memória, na caixa escura de veludo que se chama o "não contar". Porque absurdamente não se precisa, embora, por muito, se tenha acreditado nessa necessidade. Não se precisa pesar. Não há necessidade de clarear senão o teu próprio quarto, as tuas próprias palavras. Assim, como se fosse entendido, tudo entendido. Ora,mas nunca se entende tudo, ou de tudo, na verdade, de nada. O que restam são vestígios redundantes de tudo. A verdade é que não existe verdade e o mais claro é que não há o que clarear. Coisa alguma há. Passou o que é passado e acabou o que não é para voltar e o que ficou deve permanecer em seu tempo e o que existe agora deve ser vivido sem a menor sombra ou com a maior sombra da intensidade do instante. O amor ficou. Ficaram palavras. Ficou a tortice. Ficaram as nossas existências e necessidades, e sobretudo, nosso futuro de cada dia. Um coração que lhe entrego e amor, amor, amor.
- E sempre esse palavrear constante, esse sem sentido das palavras, como que se fosse invenção, e é, como que se fosse segredo!
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