Manhã

Se todo o corpo fosse desvelado e se fosse possível desvelar os sonhos, a dor que  fica já não mais ficaria, a lembrança seria alicerce e não seria uma tentativa boba da memória. As palavras  seriam poesia e no fim as mãos seriam poeira - mas que do pó voltasse à lembrança e às lágrimas. Como é possível lembrar-se do que nunca existiu? Se se escreve sempre com o mel da memória, ou a raspa dele?! Será que as palavras tomam asas, como as lembranças? Ora, que bom, e que ruim...
O que faço desse corpo que lembra sombras? O que faço se as palavras saem sombreadas? Continuo a monologar? Continuo a tentar? E tentar, e tentar, e tentar...
E sonho.

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