Manual de nada

Não está havendo entendimento, são duas partes de um todo profundo. Não sou desses que gosta de categorizar, embora obrigatoriamente tenha que fazer isso, o mundo quase que exige. Sou complicada, sou leviana, sou um tudo de mim tão vasto, as pessoas parecem querer saber mais de mim do que as minhas dúvidas. Que singelo, ora, ora... Não, não estou aí para banalidades, embora elas machuquem a todos nós, não há nada como FALAR. DIZER, MOSTRAR, isso com certeza desembaça o caminho. Esconder... não, já me retive por tantas horas e anos que já não quero mais me acinzentar. A sombra esparsa sobreviveu assim mas já não se reconhece tanto em meio ao caminho nebuloso - precisa, pelo menos, dos olhos limpos, das lágrimas no rosto, não nos olhos. Precisa, sobretudo, de sinceridade - porque é tão difícil ser sincero num mundo em que se cai em desilusão por imagem o tempo todo... É tão difícil e doloroso falar de angústia quando não se esforça. Quando queremos, podemos, fazemos, queremos, temos, podemos, etc e tal.
Quando alguém que a gente ama fere a gente, a tendência é essa mesma. Mas somos tão egoístas na maioria das vezes que nem perguntamos, muitas vezes, ao outro se ele está ferido. Achamos que nossa dor é mais interessante, que é dor profunda, que cai como luva e que o outro tem, teve, teria a obrigatoriedade em conhecer tudo de nós. Tão ingênuo e ao mesmo tempo paradoxo, não? Já que somos COMPLICADOS assim, como resolver tudo tão simplesmente? Como resolver nada complicadamente? O mundo anda tão complicado... E não, não posso fazer tudo sempre, o que dói. Podemos fazer um pouco a cada instante.
Não quero entender os nossos erros pois já cometemos e logo nos crucificamos, por isso, entender os erros muitas vezes faz a gente se martirizar... principalmente pessoas complicadas, como eu. Que estão, agora, ontem, hoje, se martirizando, se ferindo, se auto-flagelando.
E cansa tanto...
Cansa mesmo.
Já tornou-se um hábito cansado, como andar de bicicleta e subir morros, só que a diferença singela é a falta de vento.

Só por hoje eu não quero mais chorar
Posso até ficar triste se eu quiser
Mas só por hoje vou me lembrar que sou feliz 

E que venham as harmonias-pessoas-danças-livros de minha vida, as minhas paisagens e tudos, assim ficarei, assim voltarei para cansar.


 

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