Dos meus nojos pelo excesso dos excessos - parte I

Sei que hoje é comum a explosão contínua de demonstrações de afeto, gosto pessoal, interesses e adjacentes na internet. O que me encuca é saber que as pessoas, na vida real, são bastante o oposto daquilo que se "posta".
Ter um Facebook contribui muito com essa rebeldia cerebral minha. Instagram, Twitter, We Heart It também. Enfim, acho que toda rede social (até blog). Digo isso porque as pessoas fazem da internet os seus diários íntimos e postam tudo aquilo que acham que vai interessar aos outros, mas que não dizem na vida real, na maioria das vezes! Isso soa muito, muito estranho.
Eu falaria disso (e falo) com qualquer amigo meu, normalmente. Eles sabem do meu desconforto diante disso. Só escrevo para ressaltar a importância de se ter um texto (dessa índole), meu, na internet. E claro, porque deu vontade de falar do assunto.
Sinceramente, não é ser "contra" Instagram, mas estamos na era em que a fotografia pareceu perder a aura ou ganhar vários sentidos dela... A pessoa está lá no meio da roça, no meio do nada, mas mesmo assim consegue postar a foto no "Insta" de uma vaquinha que ela viu no pasto e ainda escreve "eu amo as vaquinhas do brejo e a natureza"... é... ama, mas não larga o celular, né? Não desgruda da tecnologia.
Isso me parece uma forçação de barra das extremas. A pessoa, na realidade, não se aguenta de desejo de postar, postar e postar, porque quer likes aos mil e um ventos, seguidores escorrendo pela timeline, comentários esbanjando lindeza (e inveja) e eticétera e tal - falei.
Claro que não estou falando de todos. Só da maioria (risos).
Não quero ser a chata (porque já sou, só estou continuando a ser, hahaha), mas, convenhamos: que solidão conjunta essa, hem?
Tenho amigos que passam a conversa inteira com celular na mão, pouco me olham cara a cara. E acho mesmo que não preciso ficar pedindo "fulano, guarda o celular e olha pra mim". Gente! Por favor, né. Cadê o senso de humanidade? rs Será que pedir um olho no olho, sem ao menos por cinco minutos, fulano não olhar pro seu Iphone?
Ai, isso é triste. Caramba, muito!
Não vejo essa intensidade toda quando é pessoalmente, quando se tem que estar ali, toque a toque, abraço, carinho. Parece haver uma dispersão contínua que se fosse na internet estaria ausente. Só tenho certeza - porque já vi muito e muito.
Poxa, o que será que tem de tão melhor assim nos cliques do que nas pessoas? Será que tudo se perdeu?
Ao mesmo tempo que vejo o cara falar de amor e união no Facebook, vejo se distanciar mais e mais de amor e união... sabe? Parece um paradoxo eterno... lutar por uma coisa compartilhando uma imagem não é lutar. Pode-se sim estar em favor daquilo, ajudando, sim, de alguma forma, mas é tão, tão simbólico que, para mim (para mim...) perde o valor.
Todas as vezes (ou quase todas) que me permiti ser sincera em relação a qualquer opinião pública na internet (não aqui, porque aqui ninguém ou poucos olham) notei o quanto aquilo fugia dos meus ideais. Eu poderia estar sentado com meu amigo ao invés de ele vir curtir a minha foto! Eu poderia lhe mostrar um álbum de fotos, sentado ao meu lado, do que ele comentar virtualmente as minhas fotos. Eu poderia colocar uma música no meu rádio ou dvd pra ele ouvir comigo do que postar um vídeo em que eu o limitaria a apenas uma "curtida" e comentada. Juntos, talvez, poderíamos dançar aquela música ou cantá-la, enfim, o que quiséssemos. Para tudo consigo pensar numa situação melhor, se fosse pessoalmente.
É incrível como a maioria das pessoas não percebe isso e cai na armadilha...
Não, não estou dizendo que não se deva usar. Esses meios são bons para muito, muito mesmo.
O problema está na frequência... a pessoa passar o dia atualizando tudo pra ver o que tem de novo... chega a soar como a loucura do século, pra mim.

"Digam o que disserem, o mal do século é a solidão, cada um de nós imerso em sua própria arrogância esperando por um pouco de afeição..." disse o meu músico favorito. (in Esperando por mim)

O problema está na frequência com que se abraça, com que se vê... até na frequência com que se escuta a voz... pois ao invés de ligar para um amigo, as vezes se manda uma mensagem por "inbox"...
Sério, me cansei, irrefutavelmente, disso. Vai contra meus ideais, meus conceitos de socialização e permanência em relação ao outro, não é tão banal quanto se tornou tudo...
Eu sou a pessoa que leva isso tudo ao pé da letra (e não sou maluca por isso, não estou sozinha).
Não disse para se isolarem da internet, mas que prefiram, acima de tudo, o contato direto com o outro, porque nada supera isso. Nada supera um carinho, um beijo, um abraço, uma ligação... até um e-mail é mais motivador do que um recado pelo facebook... você pensa: poxa, a pessoa se deu ao trabalho de digitar o meu e-mail pelo menos...rs.
Pensa bem, na rede social era só "marcar"... nem precisa escrever o nome todo da pessoa, muitas vezes...

Isso foi um desabafo desgraçado e cansado. E não terminou. E sim.

Comentários

Postagens mais visitadas