Dentro da noite nada mais se escutou do que o coração delator.
Só os cães lá fora, a brisa que entrava por debaixo da porta, o pouco que vinha da janela, o raro que perpassava as pernas.
Um gosto de vinho que ficou na boca, vestígio de uma noite gelada, mas quente.
Um pouco de saudade e desejo que sempre estão presentes por dentro.
A música que toca, que inspira, que gira a sombra dos dedos que escrevem.
Metáforas vivas que fazem da morte do passado uma escrita presente que há...
Sempre há...
Catarse nostálgica que apenas faz-se o ser, não importa, não importa, o tempo volta, ele volta em forma de imagem e palvra.
Como traduzir? Como ser corpo o que se é n’alma? Como ser gesto daquilo que pouco se consegue traduzir?
E assim, noite após noite, o coração batendo, o frio fazendo contrair, os lábios secos, as flores no lixo, o vento lá fora, a noite nua, a rua vazia, as folhas ao vento, o silêncio do escuro.
E a palavra existindo. Catarse, fluidez, riqueza rara, mas que dói em cada curva.



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