Em uma noite de flores frias



À noite é tempo de poesia, tempo de vida, de inspiração, de minúcias.
Tempo de instante, tempo de desejo, tempo de ser, só de ser, "o ser triste e material".
O dia serve para dormir, para ser iluminado por luz natural, para ser, só que menos. 
À noite é para ser muito, ser grandioso, no frio e no silêncio.

Ah, quantas lembranças...
Lembranças do ser de mim que existiu esparso por um passado cuja escuridão pairava. O que era de mim, não fosse tanta treva? O que era de mim, não fosse dor? Jamais seria eu, jamais seria luz, hoje...
Luz que ainda é movida pela escuridão do mundo, que nada serve para ascender o que está em nós iluminado...


Comentários

  1. Olá Thay...

    Sim, é da escuridão, que mesmo a mais tímida luz, torna-se imperiosamente presente...
    Lembrei-me da Hilda Hilst dizendo que procurar-nos, era como caçar um leopardo enquanto estávamos o tempo todo, montado nele.

    É mais ou menos isso.

    Não desapareci.
    Juro-te.
    Estou como um pintainho mudo empoleirado num fio, a olhar o mundo amanhecer, entardecer, anoitecer... ininterruptamente.

    Locus Horrendus...
    Locus de beleza :)

    Meu sorriso :)

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