À noite é tempo de poesia, tempo de vida, de inspiração, de minúcias.
Tempo de instante, tempo de desejo, tempo de ser, só de ser, "o ser triste e material".
O dia serve para dormir, para ser iluminado por luz natural, para ser, só que menos.
À noite é para ser muito, ser grandioso, no frio e no silêncio.

Ah, quantas lembranças...
Lembranças do ser de mim que existiu esparso por um passado cuja escuridão pairava. O que era de mim, não fosse tanta treva? O que era de mim, não fosse dor? Jamais seria eu, jamais seria luz, hoje...
Luz que ainda é movida pela escuridão do mundo, que nada serve para ascender o que está em nós iluminado...


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