Uma nostalgia de fotografias feitas com uma chama apagada
Poderia bem ter feito de antes tudo o que faço agora. Os registros, eles nos ajudam a manter, de uma forma muito intensa, nossas memórias. Queria ter feito de todos os instantes fotografias, papéis que eu guardaria por toda uma vida, por toda a vida dela: ela os guardaria também com o coração. É triste olhar pra trás e descobrir, dar-se conta de que o pouco que ficou, ficou numa memória que perambula perdida. Outras coisas vieram apagando tudo aquilo, outras histórias vieram estragando tudo o que tinha ficado de bom. É doloroso e nos causa uma ânsia de lágrimas sem sentido, porque o que importa é que aconteceu, na verdade. Porque as coisas ruins fixam tão bem? Que razão temos, para aceitar melhor o trágico do que aquilo que nos foi belo? É porque trazemos tanto isso para dentro de nós que nos fixa tanto, que nos fica tanto, que nos arrasta, carrega para sei lá onde.
Na lembrança, marcas também fixas, claras e doces das memórias que nos salvam da tristeza do parecer de que tudo se perdeu - mas tão fugidia, tão sobrevoante e cautelosa em aparecer que parece até uma mentira, um sonho, um devaneio. Parece uma divagação que vem devagar. E que devagarinho some.
As lágrimas vêm como um inseto que pousa lento, sublime. É uma melancolia tão...intraduzível.
Será que podemos arrancar de cima de nós estas pedras que tanto afundam? Transformar em intensidade, viver tudo o que foi apagado, fazer ressurgir! É isso o que nos prende: a impossibilidade de encarar novamente, porque parecemos fugir, nos infincamos na dor - porque é mais fácil assumi-la do que nos assumirmos ricos em beleza e grandiosidade. Preferimos tornar a vida trágica, mesmo ela sendo trágica; preferimos enxergá-la com estes olhos absurdos e opacos que não dilatam, que não querem ver luz para cegar-nos de que existe uma beleza, uma beleza tão grande e intensamente bela que é capaz de nos deixar sem corações - de tão vivos.
Na lembrança, marcas também fixas, claras e doces das memórias que nos salvam da tristeza do parecer de que tudo se perdeu - mas tão fugidia, tão sobrevoante e cautelosa em aparecer que parece até uma mentira, um sonho, um devaneio. Parece uma divagação que vem devagar. E que devagarinho some.
As lágrimas vêm como um inseto que pousa lento, sublime. É uma melancolia tão...intraduzível.
Será que podemos arrancar de cima de nós estas pedras que tanto afundam? Transformar em intensidade, viver tudo o que foi apagado, fazer ressurgir! É isso o que nos prende: a impossibilidade de encarar novamente, porque parecemos fugir, nos infincamos na dor - porque é mais fácil assumi-la do que nos assumirmos ricos em beleza e grandiosidade. Preferimos tornar a vida trágica, mesmo ela sendo trágica; preferimos enxergá-la com estes olhos absurdos e opacos que não dilatam, que não querem ver luz para cegar-nos de que existe uma beleza, uma beleza tão grande e intensamente bela que é capaz de nos deixar sem corações - de tão vivos.
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