culpa da catarse

escrevi um poema - dando uma de metida à poetisa,
a poeta.
mas o poema se perdeu: no mundo, na lembrança,
na vaguidão da vida que venta e leva tudo embora.
foi quando olhei pra trás e chorei: vi o tamanho do prato
cheio que eu havia perdido - e aquilo era tamanha dor.
esquecia, então, como se fazia gestos e rimas porque o coração
estava no passado da coisa. poesia não era lembrança, sentiu a necessidade
de tê-la em suas mãos! como a teria se estivesse em folha e árvore.
e agora, o que fazer então? o excremento saiu, já era. já me foi, pensei.
e nada no mundo o faria voltar. porque era único. nem que outro o pudesse
tomar, só para dizer que tomaria mas que na verdade, não tomaria.
não se transmuta uma poesia d'outra. nem se leva uma n'outra.
o que fazer com tudo isso então?
pôr no papel.

Comentários

  1. Coisas que essa vaguidão da vida leva embora... Hm'

    Não consigo escrever nenhum comentário decente. Sempre que leio as coisas que você escreve, Thayne, as palavras me faltam e o pensamento transborda.

    Continue colocando no papel.

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