Agora

Não há dor maior que sua ausência;
dor esta que carrega minha demência
transformando-me, transportando minha essência
nas mais clara solidão; na mais clara obscuressência.


E os dias correm - assim, sem teu nome
que, em mim, grita: socorro!
E minha voz grita contigo - geme e chora
por teu ombro amigo, amor, luz: do fim da minha aurora
(da minha vida).


Até esqueço o frio: a dor é tanta que aquece,
incandesce, enobrece. E vejo todo o pecado
cometido, caminhando, sem abrigo, ao meu lado 
e sozinho - fugidio, disperso: deseja - voa, alado
(ao meu lado).


Quero seu sangue - com cheiro de vida, cheiro de folha
Quero essa folha que aí voa com um mínimo de perdão
Quero querer-te como já quero - como nem a palavra preciso
querer.
Como é possível? Querer-te e escapar na palavra?
E duvidar da possível ausência desta solidão - que deve e faz 
e tenta seguir o caminho da benção?
Não duvido, nem hei de duvidar, mas preciso de ti!
Preciso!


Preciso de ti! Devolta, sem cessar, para amar
e perdoar e acompanhar!
Senão minha'lma morre, nestas linhas.




:(

Comentários

  1. Olha vômito do almoço em versos.

    Vá amar perdidamente, begônia. E faça o favor de se encontrar.

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  2. É por isso que digo que as dores nos inspiram sempre mais. (Nós e nossos heterônimos). A parte que me tocou profundamente:

    "Até esqueço o frio: a dor é tanta que aquece,
    incandesce, enobrece. E vejo todo o pecado
    cometido, caminhando, sem abrigo, ao meu lado
    e sozinho - fugidio, disperso: deseja - voa, alado
    (ao meu lado)."

    O frio existe muitas vezes quando exteriorizo aquilo que há por dentro. Então, é preciso haver uma fonte de aquecimento, ou uma outra ainda mais fria, para tornar-te dormente o suficiente para não sentir.

    Caminho sempre sem pressa pelo teu blog. É um ótimo passeio. =)

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