Ana mascarada como máscaras de bonecas dançantes
Ana apenas gostava de caminhar e rodopiar pelos vales vazios das montanhas; a sua solidão era tão completa que sentia o cheiro puro do vento, tão penetrante e cinzento como um dia normal, como um dia de nuvens. Enquanto caminhava só, ali, lembrava aos poucos o que tinha visto durante toda aquela semana caída, lembrava-se de todas as coisas que a haviam feito dar um tempo a si mesma e esquecer um pouco, ou pelo menos petrificar antes de quebrar, errantes que infortunavam sua vida. Ao caminhar, parava vezes e vezes, sentia o calor da ausência, a quentura da saudade e o fervor de um ódio amargo e triste – sim, pois ela odiava ter que odiar. Não que ela justamente tivesse a obrigação para tal, mas seus instintos hedonistas lhe diziam que de nada valiam todos os abraços e braços dados às pessoas (dançantes) a quem dava agora retalhos velhos de uma seda falsificada. Ana não era criatura mascarada: não em relação aos seus convivas. Mas era expressiva e singela, ao mesmo tempo que sim, metade de sua face era retorcida e escondida por um véu negro que iluminava suas vidas – e mortes. Diria eu – pelo pouco que a conheço – que é uma espécie de boneca viva – não que as bonecas não fossem tal qual humanas, no entanto, não tinham aquele sangue que corria pelas veias de Ana. E ela era uma colecionadora nata de coisas que não podia colecionar. E bonecas eram como uma árvore sem galhos: não existe visão tempestuosa mais bela em um dia frio, nem companhia mais silenciosa como a neve. Assim eram as bonecas de Ana. Poderia jurar que Ana furava suas bonecas e com uma tinta vermelha qualquer, pintava seus pequenos braços de pano e retalhos. Mas não: não sei de que lugar mais ela conseguiria tal sangue – em tão grande quantidade – que enfurnava-o naquela falsa seda – cujo pano não era dado aos tais convivas por motivos para ela, assim, tão óbvios – e traduzia as pequenas criaturas quase humanas em vermelhidão e peso. Na sua delicadeza e simplicidade, Ana queria enxergar nos outros a bondade das bonecas; deixavam-na a vontade, liberando toda a sua essência escondida entre ramos de árvores por aquelas veias de finas linhas negras. Quando Ana voltava a si, percebia que o vento abanava-lhe o cabelo e que ela ainda estava pelo bosque, só.
Uma chuva iluminou o céu. As poucas gotas deixaram-na tão feliz que ela rodopiava mais e mais celebrando sua inquietude quanto aos dançantes que ela poderia jurar, pouco se importavam com sua existência. Ana sentia-se só. Quando ela via-se, via-se apenas um cadáver em pó. Ouro em pó era o que enxergava, apenas. Era o momento em que vestia sua máscara por inteiro e suas vestes da pura seda, por todo o corpo.
Dançava na chuva com sua dor e sua empolgação de dançante, no entanto, não era comum dançante, Ana dançava para os ares. E gritava aos prantos em seu quarto quando via-se nua, um vento frio deslizando por suas pernas e aquilo tudo apenas páginas de seu livro.
Eba, ana is back.
ResponderExcluirMais uma postagem do tipo q so vc faz ;)
Isso vicia...
obs1: Prefiro Codigos de Ana.
ResponderExcluirobs2: Euri do "Carpe Noctem, Carpe Vitae"
ResponderExcluirPorque riu? Não entendi. rs
ResponderExcluircara. adorei essa! posso por no meu blog?
ResponderExcluirPode, já me sinto honrada!
ResponderExcluir;) bjoca
eu já me perdi nestes bosques dos dançantes, ao despertar vi que estava novamente na rave... L ucy in the S ky with D iamonds
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